Categoria Arritmias

porMarcilio

Como analisar uma arritmia.

avaliamos uma arritmiQuando avaliamos uma arritmia, nos baseamos em três coisas, que formam a base do tratamento

1- estrutura: pedimos ecocardiograma para ver se há algo errado nas válvulas, nas paredes ou no
septo cardíaco.
2- sintomas: é o que o paciente diz. Anotamos e pedimos holter e teste ergométrico para
IDENTIFICAR PADROES e REPRODUZIR a arritmia e vê-la no eletro na hora do esforço. Comparamos
também o diário que o paciente escreve, com os momentos em q o eletro MOSTRA alguma arritmia.
esta é legal: na comparação em 80% dos casos, a pessoa anotou um milhão de sintomas, mas não teve
nenhuma alteração no eletro.
dependendo da boçalidade do paciente e do grau de hipocondria, só isso já serve para eu mostrar a
FALSA arritmia.
o cara fica com raiva, eu perco o paciente, mas o psiquiatra ganho um.
por outro lado, se a arritmia aparece no holter, mas NAO aparece no diário, ou seja, não tem
sintomas coincidindo, eu digo que atiramos num bicho e acertamos em outro.
aí analisamos que tipo de arritmia é.
3- tipo de arritmia: existem dezenas de tipos, e a maioria delas não tem significado ruim.
a) tipo de batimento: supraventricular ou ventricular.
b)intensidade ou velocidade: tem salvas, dura vários segundos, ou abaixa a pressão e o cara tem
que ir pra UTI? (rara, felizmente)
c)quantidade em 24 as. Menos q 1% de extrassistoles nas 24 h, não quer dizer muita coisa.
Qualquer pessoa tem 100, 200, 700 por dia. Mas se o holter deu 100.000 batimentos totais, só vale
se forem 1000 extras.
TEMOS QUE TER PELO MENOS dois CRITERIOS DESTES PRA CONSIDERAR NECESSIDADE DE TRATAMENTO.
os sintomas podem ser vários, mas uma boa parte deles são mesmo formigamentos, repuxamento, boca
roxa, mancha roxa, bola na garganta, ar que não entra o suficiente, que claramente não são
causados por arritmia.
tem até o olhinho tremendo! Este é raro, mas interessante. Quando a gente mostra o tamanho da
injeção o cara fica bom na hora.
Ai vem o raciocínio:
1- com sintomas + estrutura errada + tipo não perigoso= tratar a estrutura q for culpada,
válvula, sopro, septo, etc. e só dar remédio depois q mexer na estrutura. Se não der pra trocar a
válvula, ai damos remédio.
2- com sintomas + estrutura normal + tipo não perigoso = psicoterapia e remédio beeeeem
fraquinho.
3-sem sintomas + estrutura errada + tipo perigoso = corrigir estrutura e tratar rigorosamente a
arritmia, até marcapasso e ablação vale.
depois de corrigir estrutura, veja se a arritmia sumiu. Se sim, beleza. Parar remédio.
se não sumiu, manter remédio mais fraco.
4-sem sintomas + estrutura certa + tipo não perigoso= nada, obviamente.
5- sem sintomas + estrutura certa + tipo perigoso = tratar com rigor a arritmia, vale tudo. Como
no 3.
6-com sintomas +estrutura certa + tipo não perigoso = tratar mente e sintomas.
muitos daqui estão no numero 2, mas não aceitam.
tem um monte de exames normais.
são conhecidos nos PS da vida.
tem raiva quando o medico diz q vai dar diazepam.
não aceitam ser ansiosos e ficam com raiva ao serem encaminhados ao psiquiatra.
vão trocar de medico duzentas vezes até um doido dar o que eles querem, ancoron.
aí quando enxergarem amarelo, tiverem hipertireoidismo, fibrose pulmonar, e o nariz ficar azul,
vão reclamar do medico q estava errado.
Ah esqueci um detalhe.
quando o cara já fez na seqüência, ECG, ergométrico, eco, holter e deu tudo normal ou próximo do
normal (100 extrassistoles no holter, p. ex.)
e ele (na verdade ela, porque 90% das sintomáticas ansiosas são mulheres, é fato) já veio na
consulta umas 10 vezes eu dou o golpe de misericórdia.
digo q vou pedir um cateterismo.
ela fica possessa e diz q não precisa ou não vai fazer, eu respondo que já que a coisa é tão
“REAL” E tá tão feia que não aparece em nenhum exame, só o CATE pra mostrar 100% do coração.
aí ADIVINHA! A MULHER SOME E NAO VOLTA MAIS no consultório.
melhorou? Só de saber qual é o exame?
Ou o medo do cate é mil vezes maior do que os sintomas q ela tem e que eram tããããõ
monstruosos e amedrontadores.
não falha NUNCA.
é maldade? Não, é o que hipocondríacos me OBRIGAM a fazer.
porMarcilio

Bloqueios do coração

Os bloqueios cardíacos são problemas na condução da eletricidade pelo músculo do coração.Os bloqueios cardíacos são problemas na condução da eletricidade pelo músculo do coração.

Sim, nós temos um sistema invocado de fios elétricos passando pelo coração, que fazem todo o sistema funcionar em sincronia.

O Nodo Sinoatrial fica no átrio direito, na parte de cima do coração, e funciona como um gerador e relógio natural de comando. Ele produz e envia pulsos elétricos de 60 a 100 vezes por minuto em condições normais, e estes estímulos seguem pelo sistema de condução para os lados e para baixo.

É como se jogássemos uma pedra na água e fizesse alquelas ondas se espalhando.

Agora imagine a perfeição de fazer isso 120 mil vezes POR DIA, durante 80 anos.

Não é pra qualquer engenheiro, não!

Quando a velocidade está abaixo de 60 chamamos de bradicardia, e acima de 100, taquicardia (Atenção, não é “ataque cardíaco”).

Atletas costumam ter coração lento e sedentários, rápido.

A febre e o nervosismo, também aceleram aquela taxa.

Depois do estímulo ser espalhado nos átrios, ele segue três vias principais até o meio do coração, o nodo Atrioventricular.

Este é um “divisor” e “retardador” da eletricidade, pois leva alguns centésimos de segundo para permitir que o impulso chegue até em baixo, nos ventrículos.

Pra quê serve esse retardo? Para dar tempo dos átrios se encherem de sangue e contraírem mandando o sangue para os ventrículos.

Se não houvesse retardo, os átrios e os ventrículos “bateriam” ao mesmo tempo, e o resultado era que o sangue não iria pra lugar nenhum, e era morte certa.

Infelizmente, algumas arritmias rápidas, causam exatamente este tipo de morte.

O nodo atriventricular parece um novelo de fios que por formarem um labirinto, permitem este retardo.

Outro tipo de doença é o bloqueio cardíaco ou bloqueio atrioventricular, que acontece quando este retardo é longo demais, por defeito elétrico, morte de células dos fios, falta de sangue no local, etc.

Aí ocorre a lentidão exagerada ou até mesmo a falta de condução da eletricidade para a parte de baixo, nos ventrículos e pode ser um problemão.

Pequenos atrazos não precisam de nada, mas os grandes, ou o bloqueio completo, precisam de marcapasso.

Deste modo o comando todo vai ser feito pelo aparelho, colocado embaixo da clavícula, com um fio até o coração.

Existem vários tipos de marcapasso e detalhes envolvidos, fale com seu médico.

Quando o impulso elétrico consegue sair do nodo atrioventricular, há dois fios principais chamados Ramo Esquerdo e Direito, que levam a eletricidade a cada um dos ventrículos.

Quando você recebe seu eletrocardiograma escrito Bloqueio de ramo esquerdo, direito, ou bloqueio divisional ou hemibloqueio, saiba que não tem nada a ver com entupimento das coronárias, mas sim com “mau contato” elétrico e retardo na eletricidade.

Fale com seu médico e não esquente, teremos que fazer alguns exames mas sua vida dificilmente mudará, a não ser que tenha realmente uma doença estrutural do coração, como dilatação ou problemas de coronárias.

O sistema é tão perfeito que mesmo quando um destes ramos esquerdo ou direito não funciona, a eletricidade consegue pular para o outro lado e ativar o resto do coração!

É como se o seu carro tivesse o fio do pisca-pisca cortado do lado direito, mas mesmo assim o esquerdo conseguisse mandar o outro acender!

É mole?

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Ufa! Prometo que vou arranjar um desenho para explicar melhor tudo isso aí de cima!

 

 

 

 

 

 

 

porMarcilio

Morte Súbita Cardíaca

Morte Súbita Cardíaca

A morte súbita é quando uma pessoa sem diagnóstico ou sintomas anteriores de doença do coração, morre em menos de 24 horas.

A grande maioria dos casos é devida a arritmias rápidas, problemas de condução elétrica no coração (precisaria de marcapasso), aneurismas de aorta e entupimento nas coronárias.

O problema é que são doenças tão rápidas e agressivas, que nem dá tempo de levar o paciente ao hospital e o diagnóstico acaba sendo só por autópsia (necrópsia).

Infelizmente algumas arritmias acontecem até em jovens, e podem causar isso, como a taquicardia ventricular causada pela síndrome de Wolff-Parkinson-White, descrita em um artigo anterior desta seção.

As causas não cardíacas de morte súbita são derrames cerebrais isquêmicos ou hemorrágicos, como as rupturas de aneurismas.

Você deve estar se perguntando: Então porque não se faz exames de rotina como teste ergométrico e tomografia cerebral de toda a população, para evitar isso.

O motivo é que seria extremamente CARO, e o benefício seria tipo salvar uma pessoa a cada cem mil.

Eu sei que a saúde não tem preço, e que a vida humana é mais importante que tudo, mas lembre-se que ALGUÉM vai ter que pagar a conta com DINHEIRO, não com palavras bonitas.

É um problema sem solução, e usamos a estatística para rastrear pessoas que tem mais chance de ter estas doenças, como os portadores daquelas doenças citadas.

Estas pessoas serão investigadas a fundo com certeza.

Num mundo ideal, dinheiro não seria problema, mas quando cada um de nós tem que botar a mão na carteira mesmo, muita gente só fala bonito mas sai correndo.

Não adianta ficar com raiva de mim, é a natureza humana.

 

 

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