oito passos para emagrecer

 

Histórias Reais perder pesoda Medicina

03 de Agosto de 2010

O Susto do Fumante

Mal de mãe

Paciente repelente

 

O Viúvo quase alegre

 

Um Médico contra todos

 

 

 Certa vez, em um grande hospital de São Paulo, um paciente de cerca de 38 anos deu entrada na emergência: rosto contraído, falando baixo, sem escândalo, sentou-se na sala de espera.

 

  Perguntei se ele fumava e ele disse que sim, desconfiei da tranqüilidade dele e me virei para buscar o carrinho de eletrocardiograma. Quando olhei por cima do ombro, só vi o cara revirar os olhinhos e ter uma parada cardíaca, sentado!

 

  Chamei a enfermagem e colocamos o paciente na maca. Entubei e ficamos QUASE DUAS horas reanimando, mas haja arritmia no eletro!

 

  O paciente entrava e saía dos ritmos cardíacos mais loucos, mas como ele era muito jovem e não tinha outras doenças, me recusei a parar (A chefe da enfermagem já havia desistido).

 

  Milagrosamente, o paciente "voltou" da parada cardíaca, e pensei: "Agora virou vegetal".

 

  Mandamos pra UTI, e terminou meu plantão.

 

  No dia seguinte eu estava extremamente curioso sobre o paciente e fui direto pra UTI.

 

  Perguntei pro residente: "E aí, aquele paciente continua em coma?"

 

  "-Que nada, está de olho aberto!"

 

  Corri pra ver, e não é que o cara estava acordado?

 

  Claro que estava entubado e não podia falar, só emitir uns gemidos.

 

  Perguntei pra ele: "Lembra de mim?"

 

  Ele fez que sim com a cabeça e disse "RÃ-rã".

 

  "E vais continuar fumando?"

 

  Ele se tremeu todo, balançou a cabeça pros lados e disse "rã-RÃ!!!!".

 

MORAL: Quem me dera os que fumam atualmente soubessem do mal a que estão expostos.

 

histórias reais da medicina

 Um belo dia, após atender várias vezes uma senhora no ambulatório, com umas pressões altíssimas, e após seis ou sete mudanças de medicamento, resolvi dar uma de psicólogo (mais do que o normal) e perguntei o que estava acontecendo com a paciente, ALÉM da doença.

 

  Ela me disse que não conseguia arranjar emprego porque um dos seus filhos havia FALSIFICADO um atestado de óbito DELA, e recebia uma pensão por morte em alguma cidade do interior de São Paulo!!!

 

  Perguntei: " E a senhora já mandou alguém investigar seu filho?"

 

  E ela disse: "Ah, doutor, mas aí ele vai ser preso!!!"

 

  ?????????

 

  Assim, continuei apenas fazendo o meu trabalho...

 

MORAL: Boa parte dos nossos problemas são causados pela omissão, pelo apego ao que "os outros vão pensar", pela tendência de carregar todos os problemas dos outros, e muitas doenças poderiam ser melhor controladas apenas com o comprometimento do paciente.

 

 Atendendo a pedidos: histórias reais da medicina

 

  Um belo dia atendi um paciente que há TRÊS ANOS não vinha ao hospital.

 

  Ele estava com dor no peito e suando frio.

 

  Enquanto tomava as primeiras medidas e mandava internar na UTI, percebi que ele havia "fugido" da cirurgia de PONTE DE SAFENA há três anos, mesmo sabendo que tinha três obstruções graves nas coronárias.

 

  Perguntei porque ele tinha se arriscado tanto, não operando, e ele disse que antes teria que operar TAMBÉM uma trombose na perna e que só depois disso é que o cirurgião cardíaco ia mexer no coração (!!!!). Ou seja, ele fugiu da PRIMEIRA cirurgia e aproveitou e fugiu da SEGUNDA.

 

  Até aí tudo bem, todo mundo tem medo, são cirurgias grandes.

 

  O problema é que ele continuou com a mesma vida de antes, sumiu do ambulatório e continuou bebendo e jogando truco a dinheiro (!!!).

 

  Ele também continuou FAZENDO ACADEMIA, sem orientação médica nenhuma (E a academia não pediu nem um eletrocardiograma dele! Cuidado!).

 

  Quando perdeu uma partida de truco, teve um acesso de raiva, desencadeando o infarto.

 

   resolveu que devia procurar o hospital...

 

  Após ele ter causado muitos transtornos na UTI e na enfermaria, incluindo arrancar o soro e tentar fugir NU da UTI, exigir quarto com televisão e frigobar na enfermaria e tentar me intimidar chamando um dos mais renomados cardiologistas de Belém para avaliar seu caso (o qual concordou comigo), consegui finalmente encaminhá-lo para o cateterismo.

 

  Por extremo azar era mês de Julho e até o colega voltar de Salinas pra dar o laudo do CATE foi uma dificuldade, que prontamente o paciente colocou a culpa em mim.

 

  Fui chamado SEM SER MEU SOBREAVISO e voltei às 04:30 horas da manhã da praia para acompanhar o paciente do Hospital até o Aeroporto, porque ele disse que "só servia eu", apesar de ser o sobreaviso de outro cardiologista e haverem DOIS clínicos no plantão, para ambulâncias.

 

  Detalhe: Ele "não quis" ir de Ambulância porque era "mais confortável" ir no carro do filho...

 

  Imaginem a cena: O primeiro carro com ele, outro carro da família, a Ambulância e eu com minha mulher em outro carro atrás...às seis horas da manhã de domingo...

 

  Enfim, embarcou para um hospital que tinha Cirurgia Cardíaca.

 

  Ele voltou feliz da vida, dizendo que "não havia sido necessário operar".

 

  Achei estranho e comecei a achar que estava emburrecendo, aí pedi pra ver o laudo do cirurgião.

 

  Este dizia que as obstruções eram tão graves e as artérias tão finas que HAVIA PASSADO O MOMENTO DE OPERAR, pois teria muita chance de morrer na cirurgia.

 

  Expliquei ao paciente e ele de repente parou de rir...

 

  Até hoje não sei se ele não entendeu o que foi dito pelo cirurgião ou se apenas fingiu que não sabia.

 

  Devido aos problemas de relacionamento com ele, encaminhei-o a outro cardiologista, para que continuasse com o tratamento apenas medicamentoso...

 

  ... e ele faleceu seis meses depois.

 

MORAL: Médico não inventa doença porque acha bonito. Médico descobre doença.

P.S.: Médico também é gente, viu?

 histórias reais da medicina

 Certa vez atendi uma paciente de trinta e sete anos, com uma parada cardíaca. 

  Ela havia tido a parada dentro da ambulância do resgate, após uma dor no peito e um desmaio em casa. Eu e a outra plantonista ficamos fazendo reanimação por quase duas horas, já que a paciente não tinha nenhuma história de problemas de saúde, exceto que no dia anterior havia recebido alta após a retirada de um nódulo mamário, mas todos os exames pré-operatórios foram normais.

 

  O eletrocardiograma na hora da parada mostrava arritmias graves, que não responderam nem a remédios nem a "choque".

 

  Quando desistimos , fui dar a notícia do óbito, e a primeira coisa que o marido me perguntou foi:

 

  "Quem vai dar o atestado?"

 

  Vamos ver se eu entendi...eu pensei.

 

  1- Ele está casado com uma pessoa que supostamente gosta, e quando ela morre ele pede o atestado antes de chorar?

 

  É ruim, hein?

 

  2- E se alguém quisesse matar uma pessoa, não seria oportuno botar a culpa na "anestesia", logo após uma cirurgia?

 

  Foi quando eu disse que não daria o atestado e mandaria o corpo para o IML, pois não havia achado explicação para uma morte súbita.

 

  O viúvo teve um acesso de raiva e disse que ia chamar a polícia (Sem chorar).

 

  Eu disse que quando ela chegasse seria bom, pois todos nós iríamos pra Delegacia, e as partes seriam OUVIDAS...

 

  Ele continuou esbravejando e voltei para preencher a ficha de evolução do caso.

 

  Quando virei de costas ele gritou mais ainda e chamamos o segurança pra "acalmá-lo".

 

  Ouvi dizer que o médico "da família" deu o atestado. Hum-hum. Sei.

 

MORAL: Médico (geralmente) não é burro.

 

 Agora uma bonitinha: histórias reais da medicina

 

  Nesta mesma clínica, atendi um paciente de 12 anos com todos os sintomas de meningite. Ele havia sido tido um traumatismo craniano e recebeu uma placa de metal no crânio, que infelizmente havia infeccionado.

 

  Eram 3 horas da madrugada e eu liguei para o Hospital de referência para meningite em São Paulo, tentando transferir o paciente.

 

  A colega de plantão naquele Hospital, disse que ele só seria AVALIADO se  tivesse os exames do líquido espinhal COMPROVANDO a meningite!

 

  Isso de madrugada...

 

  Ele tinha TRÊS planos de saúde, nem lembro porquê.

 

  Mas nenhum "cobria" meningite e nem tinha vaga de UTI para ele!

 

  Como ele estava muito grave e não tinha condição de ficar passeando pelos hospitais e pedindo vaga, tomei a decisão de deixá-lo internado ali mesmo.

 

  O problema é que a enfermeira-chefe (por coincidência, uma amiga de faculdade daqui de Belém!) não queria de jeito nenhum um paciente com uma doença tão grave na enfermaria, e a UTI estava lotada.

 

  Aí eu fui na ala de Obstetrícia e perguntei: Quais são os diagnósticos aqui?

 

  Ela disse: São várias pacientes grávidas, com hiperêmese (vomitando muito).

 

  Eu prontamente repeti o que meu professor costumava dizer: "Gravidez não é doença" e dei alta pra todo mundo.

 

  A baixinha queria me matar, e acho que perdi a amizade dela neste dia... :-)

 

  Ela disse que se eu deixasse o paciente na enfermaria sem o convênio cobrir os gastos, eu seria chamado para pagar a internação.

 

  Aí eu disse que pagaria sim, mas no Conselho Regional de Medicina, ao lado do PAI dele.  :-)

 

  Prescrevi os antibióticos junto com o pediatra e saí do plantão de manhã.

 

  A tarde liguei para saber do paciente e ele já estava na UTI, mesmo sem o Hospital saber como ia receber...

 

MORAL: O Sistema é uma "guerra", mas o médico é seu amigo!

 

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